Vila do Bispo. À entrada dos Paços do Concelho. Duas pedras da calçada.
- Olá, como estás?
- Estou pedrada.
- Pois. Nota-se. Agora fumas?
- Qual quê! É da transpiração que escorre ali de dentro.
terça-feira, 17 de julho de 2007
9
Vila do Bispo. Tarde de sol.
- Então, e o autocarro?
-Foi-se.
-O quê? Foi-se?
-Sim. Escondeu-se.
-Estás a gozar!?
-Não. Está escondido ali atrás das Finanças.
- Ah! Deve ser por causa do imposto de circulação.
- Então, e o autocarro?
-Foi-se.
-O quê? Foi-se?
-Sim. Escondeu-se.
-Estás a gozar!?
-Não. Está escondido ali atrás das Finanças.
- Ah! Deve ser por causa do imposto de circulação.
terça-feira, 26 de junho de 2007
8
-Olha! Olha!
-O quê?
-Os contentores.
-Aquilo serve para quê? Vão fazer alguma obra?
-Parece que é para o pessoal do urbanismo.
-Vão encaixotá-los?
-Se calhar é para exportá-los. Ou para devolvê-los. Só atrapalham o vereador.
-Pois! Isto está cada vez mais bonito!
-O quê?
-Os contentores.
-Aquilo serve para quê? Vão fazer alguma obra?
-Parece que é para o pessoal do urbanismo.
-Vão encaixotá-los?
-Se calhar é para exportá-los. Ou para devolvê-los. Só atrapalham o vereador.
-Pois! Isto está cada vez mais bonito!
7
-Bom dia. Já tens a certidão?
- Ainda não. Parece que tenho que ir falar com o vereador.
-Por uma coisa dessas!?
- É. Com tanta gente aquilo andava muito depressa e tiveram que arranjar um travão.
- Ah! Já percebi. É como o autocarro, só usa o travão. Parado e paradinho. Só por favor é que anda.
- Está bonito, está!
- Ainda não. Parece que tenho que ir falar com o vereador.
-Por uma coisa dessas!?
- É. Com tanta gente aquilo andava muito depressa e tiveram que arranjar um travão.
- Ah! Já percebi. É como o autocarro, só usa o travão. Parado e paradinho. Só por favor é que anda.
- Está bonito, está!
sexta-feira, 22 de junho de 2007
6
Vila do Bispo. Algarve. À entrada dos paços do Concelho. Céu limpo. Vento moderado do quadrante norte.
- Olá! Hoje por estes lados?
- Vim saber de um certidão que pedi aqui há uns meses.
- E então?
- Nada.
-Nada? É coisa complicada?
- Parece. É só para confirmarem o número da porta e o nome da rua.
- Só isso? E leva assim tanto tempo?
- E o que é que se há-de fazer? Aqui é tudo mais ou menos como o autocarro, não anda. E a gente à espera.
- Olá! Hoje por estes lados?
- Vim saber de um certidão que pedi aqui há uns meses.
- E então?
- Nada.
-Nada? É coisa complicada?
- Parece. É só para confirmarem o número da porta e o nome da rua.
- Só isso? E leva assim tanto tempo?
- E o que é que se há-de fazer? Aqui é tudo mais ou menos como o autocarro, não anda. E a gente à espera.
quinta-feira, 21 de junho de 2007
5
-Voltaste!
- O que é que se há-de fazer? Isto por aqui sempre tem algum movimento.
-Não me parece. O autocarro está sempre parado.
- Ah! Mas o motorista não pára. Vai ler o jornal. Vem pôr isto a trabalhar. E dá umas voltinhas por aí para desenferrujar as pernas.
-Sim. Mas o autocarro é que devia andar.
-Não. Isto é só para admirar. Prá gente ficar aqui a olhar para esta maravilha. Se andar muito estraga-se. Até já há quem diga que tem mais dias do que quilómetros.
- Tá bonito! Tá!
- O que é que se há-de fazer? Isto por aqui sempre tem algum movimento.
-Não me parece. O autocarro está sempre parado.
- Ah! Mas o motorista não pára. Vai ler o jornal. Vem pôr isto a trabalhar. E dá umas voltinhas por aí para desenferrujar as pernas.
-Sim. Mas o autocarro é que devia andar.
-Não. Isto é só para admirar. Prá gente ficar aqui a olhar para esta maravilha. Se andar muito estraga-se. Até já há quem diga que tem mais dias do que quilómetros.
- Tá bonito! Tá!
terça-feira, 5 de junho de 2007
4
-Ah! Hoje vieste até Sagres. O que estás aqui a fazer?
-À espera que chegue.
- O quê? O autocarro?
- Não. Esse às vezes vem até aqui para desenferrujar. Mas não é isso. Estou à espera da água.
- Aqui?
- Sim. Há uns dez anos que espero. E agora com os aumentos pode ser que chegue.
- Então a água não chega aqui?
- Ainda não percebeste. A Câmara compra a água às Águas do Algarve. Mas essa água ainda não chega a Sagres. Agora com o aumento do preço pode ser que chegue. Ora, como é que se paga aquilo que não se tem?
- Bem visto. Muito bem visto.
-À espera que chegue.
- O quê? O autocarro?
- Não. Esse às vezes vem até aqui para desenferrujar. Mas não é isso. Estou à espera da água.
- Aqui?
- Sim. Há uns dez anos que espero. E agora com os aumentos pode ser que chegue.
- Então a água não chega aqui?
- Ainda não percebeste. A Câmara compra a água às Águas do Algarve. Mas essa água ainda não chega a Sagres. Agora com o aumento do preço pode ser que chegue. Ora, como é que se paga aquilo que não se tem?
- Bem visto. Muito bem visto.
quinta-feira, 31 de maio de 2007
3
Vila do Bispo. 10 da manhã. Céu limpo. 18º. Vento fraco.
Na paragem do autocarro em frente ao novo Quartel dos Bombeiros.
- Olha, hoje mudaste de poiso?
- Teve que ser. Quero apanhar um daqueles que vá para algum sítio.
-Ai é!? E para onde vais com essa bandeirinha às costas?
-Para a praia.
- E levas uma bandeirinha.
-Sim. E um baldinho, uma pázinha, uma toalinha, um creme, essas coisas...
-Pois. Só não percebo para que é que precisas da bandeira. É para não te perderes no meio da multidão de banhistas?
-Não. Eu explico. Como estou habituado a praias com grande qualidade ambiental fico deprimido se tiver que ir para uma praia sem bandeira azul. E como aqui não há, eu levo uma.
- E ficas todo contente.
-Claro. É só vantagens. Assim só vou para praias com bandeira azul. E nem é preciso estar a escolher.
-Tás a ficar muito esperto. Qualquer dia ainda te vejo na política.
Na paragem do autocarro em frente ao novo Quartel dos Bombeiros.
- Olha, hoje mudaste de poiso?
- Teve que ser. Quero apanhar um daqueles que vá para algum sítio.
-Ai é!? E para onde vais com essa bandeirinha às costas?
-Para a praia.
- E levas uma bandeirinha.
-Sim. E um baldinho, uma pázinha, uma toalinha, um creme, essas coisas...
-Pois. Só não percebo para que é que precisas da bandeira. É para não te perderes no meio da multidão de banhistas?
-Não. Eu explico. Como estou habituado a praias com grande qualidade ambiental fico deprimido se tiver que ir para uma praia sem bandeira azul. E como aqui não há, eu levo uma.
- E ficas todo contente.
-Claro. É só vantagens. Assim só vou para praias com bandeira azul. E nem é preciso estar a escolher.
-Tás a ficar muito esperto. Qualquer dia ainda te vejo na política.
quarta-feira, 30 de maio de 2007
2
-Então, ainda por aqui?
-O que é que se há-de fazer?
-Deves estar a ficar viciado em paragens de autocarro.
-Pois. Isto sempre tem algum movimento. Ora vão, ora vêm.
-Mas aqui não passam e o que estava aqui foi-se embora.
-Sim, mas volta não tarda nada. Foi só ali à rotunda dar uma voltinha para carregar as baterias.
-Lá estás tu a desconversar outra vez!
-O que é que se há-de fazer?
-Deves estar a ficar viciado em paragens de autocarro.
-Pois. Isto sempre tem algum movimento. Ora vão, ora vêm.
-Mas aqui não passam e o que estava aqui foi-se embora.
-Sim, mas volta não tarda nada. Foi só ali à rotunda dar uma voltinha para carregar as baterias.
-Lá estás tu a desconversar outra vez!
1
Vila do Bispo. Vento fraco. Céu limpo. 15º. Em frente ao Centro Cultural.
- O que estás aqui a fazer?
-Na paragem do autocarro.
-Aqui? Isto não é nenhuma paragem de autocarro.
-Ai não!? Então o que faz aqui este?
- Sei lá! Está sempre aqui.
- Então é uma paragem de autocarro.
- Mas os autocarros não passam aqui.
-Ora vês! É só vantagens. Nas outras paragens temos que esperar por eles. Nesta é o autocarro que espera.
- Mas este não vai para lado nenhum.
- Eu também não.
- Há com cada esperto nesta terra!...
- O que estás aqui a fazer?
-Na paragem do autocarro.
-Aqui? Isto não é nenhuma paragem de autocarro.
-Ai não!? Então o que faz aqui este?
- Sei lá! Está sempre aqui.
- Então é uma paragem de autocarro.
- Mas os autocarros não passam aqui.
-Ora vês! É só vantagens. Nas outras paragens temos que esperar por eles. Nesta é o autocarro que espera.
- Mas este não vai para lado nenhum.
- Eu também não.
- Há com cada esperto nesta terra!...
Subscrever:
Mensagens (Atom)