-Olha! Olha!
-O quê?
-Os contentores.
-Aquilo serve para quê? Vão fazer alguma obra?
-Parece que é para o pessoal do urbanismo.
-Vão encaixotá-los?
-Se calhar é para exportá-los. Ou para devolvê-los. Só atrapalham o vereador.
-Pois! Isto está cada vez mais bonito!
terça-feira, 26 de junho de 2007
7
-Bom dia. Já tens a certidão?
- Ainda não. Parece que tenho que ir falar com o vereador.
-Por uma coisa dessas!?
- É. Com tanta gente aquilo andava muito depressa e tiveram que arranjar um travão.
- Ah! Já percebi. É como o autocarro, só usa o travão. Parado e paradinho. Só por favor é que anda.
- Está bonito, está!
- Ainda não. Parece que tenho que ir falar com o vereador.
-Por uma coisa dessas!?
- É. Com tanta gente aquilo andava muito depressa e tiveram que arranjar um travão.
- Ah! Já percebi. É como o autocarro, só usa o travão. Parado e paradinho. Só por favor é que anda.
- Está bonito, está!
sexta-feira, 22 de junho de 2007
6
Vila do Bispo. Algarve. À entrada dos paços do Concelho. Céu limpo. Vento moderado do quadrante norte.
- Olá! Hoje por estes lados?
- Vim saber de um certidão que pedi aqui há uns meses.
- E então?
- Nada.
-Nada? É coisa complicada?
- Parece. É só para confirmarem o número da porta e o nome da rua.
- Só isso? E leva assim tanto tempo?
- E o que é que se há-de fazer? Aqui é tudo mais ou menos como o autocarro, não anda. E a gente à espera.
- Olá! Hoje por estes lados?
- Vim saber de um certidão que pedi aqui há uns meses.
- E então?
- Nada.
-Nada? É coisa complicada?
- Parece. É só para confirmarem o número da porta e o nome da rua.
- Só isso? E leva assim tanto tempo?
- E o que é que se há-de fazer? Aqui é tudo mais ou menos como o autocarro, não anda. E a gente à espera.
quinta-feira, 21 de junho de 2007
5
-Voltaste!
- O que é que se há-de fazer? Isto por aqui sempre tem algum movimento.
-Não me parece. O autocarro está sempre parado.
- Ah! Mas o motorista não pára. Vai ler o jornal. Vem pôr isto a trabalhar. E dá umas voltinhas por aí para desenferrujar as pernas.
-Sim. Mas o autocarro é que devia andar.
-Não. Isto é só para admirar. Prá gente ficar aqui a olhar para esta maravilha. Se andar muito estraga-se. Até já há quem diga que tem mais dias do que quilómetros.
- Tá bonito! Tá!
- O que é que se há-de fazer? Isto por aqui sempre tem algum movimento.
-Não me parece. O autocarro está sempre parado.
- Ah! Mas o motorista não pára. Vai ler o jornal. Vem pôr isto a trabalhar. E dá umas voltinhas por aí para desenferrujar as pernas.
-Sim. Mas o autocarro é que devia andar.
-Não. Isto é só para admirar. Prá gente ficar aqui a olhar para esta maravilha. Se andar muito estraga-se. Até já há quem diga que tem mais dias do que quilómetros.
- Tá bonito! Tá!
terça-feira, 5 de junho de 2007
4
-Ah! Hoje vieste até Sagres. O que estás aqui a fazer?
-À espera que chegue.
- O quê? O autocarro?
- Não. Esse às vezes vem até aqui para desenferrujar. Mas não é isso. Estou à espera da água.
- Aqui?
- Sim. Há uns dez anos que espero. E agora com os aumentos pode ser que chegue.
- Então a água não chega aqui?
- Ainda não percebeste. A Câmara compra a água às Águas do Algarve. Mas essa água ainda não chega a Sagres. Agora com o aumento do preço pode ser que chegue. Ora, como é que se paga aquilo que não se tem?
- Bem visto. Muito bem visto.
-À espera que chegue.
- O quê? O autocarro?
- Não. Esse às vezes vem até aqui para desenferrujar. Mas não é isso. Estou à espera da água.
- Aqui?
- Sim. Há uns dez anos que espero. E agora com os aumentos pode ser que chegue.
- Então a água não chega aqui?
- Ainda não percebeste. A Câmara compra a água às Águas do Algarve. Mas essa água ainda não chega a Sagres. Agora com o aumento do preço pode ser que chegue. Ora, como é que se paga aquilo que não se tem?
- Bem visto. Muito bem visto.
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